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terça-feira, 31 de março de 2009

Xairete Theoi

Θ
{Theoi}
Deuses
Os deuses te auxiliarão neste teu caminho.



Tive um sonho simples, bastante simples, cheio de meus dramas atuais, com minha paixonite como personagem principal, porém eu lembro de encontrar um nome escrito em grego que agora eu não consigo me lembrar e uma letra me era dada, a letra Theta Θ. Logo que acordei tive a sensação de que eu tinha que descobrir o que essa letra significava, aliás ontem foi minha Libação para Atena em seu dia e pedi sua sabedoria e conselhos, disse a Atena que eu tinha que ser sábia e que eu desejava profundamente saber o que fazer.
Basicamente foi o que eu fiz ao chegar ao serviço e me deparar com minhas doze horas em frente ao computador em meu trabalho, procurar o significado da letra Teta para saber qual era a mensagem dos deuses. E deparei-me com esse significado no Oráculo Apolíneo: “Os deuses te auxiliarão neste teu caminho”. Θ pode ser interpretada nesse caso como "Theoi", "Deuses" e eu posso entender que nesse caso, isso é coisa pela qual os próprios Deuses acompanham comigo.
Seja como for, isso me fez lembrar de uma época em que eu buscava por uma vida espiritual para lidar com as dificuldades em mudanças comportamentais e resgate de si mesmo, dentro de um grupo de apoio. Quando algo parecia tão difícil ou mais forte do que nós, tínhamos que buscar a ajuda de um Poder Superior para assim prosseguirmos e vencermos nossas dificuldades. Eu mesma ainda carrego muito disso em minha vida, acho que foi aquele tipo de aprendizagem em que você jamais esquece como fazer.
O ponto mais importante que qualquer pessoa deveria alcançar se chama Serenidade, para mim serenidade é aquele estado onde nos encontramos vivendo o presente, sem nos ressentirmos com o que passou e tampouco se preocupando com o que virá. Viver aqui e agora sem preocupações, deixando as coisas acontecerem por si mesmas. Gosto de uma explicação de Osho sobre algo aparentemente semelhante, ele diz que quando estamos vivendo realmente no presente nós aprendemos a Responder ao invés de Reagir. A reação seria basicamente agirmos diante de uma situação de forma parecida como agimos no passado em alguma situação semelhante. E responder seria basicamente agirmos de maneira a vivermos aquela experiência pela primeira vez, sem tentarmos nos lembrar de qualquer situação semelhante e pensar em que fim deu, para tão somente reagir.
Esse pensamento me trouxe de certa forma certa paz (serenidade) novamente, pois se sonho com algo pelo qual por minhas próprias forças eu não consigo resolver, e recebo uma mensagem como “Theoi”, Deuses, então não vejo qualquer motivo para me preocupar demais, resta-me apegar-me ainda mais em meus Deuses e seguir adiante em meu caminho simplesmente Respondendo (como aconselharia Osho). Pensamos na singularidade das pessoas e situações e jamais poderíamos nos basear numa situação passada por alguns motivos óbvios:
1º devido ao tempo e ao nosso constante renascimento, não podemos crer que somos as mesmas pessoas que fomos ontem. Portanto, tantas experiências nos transformaram, ainda mais nós que percorremos pelas trilhas do auto-conhecimento. Se nós já não somos os mesmos, quem dirá as situações.
2º o mesmo acontece com situações, por mais semelhantes que pareçam nada é o mesmo, muitas vezes pessoas, locais, etc nem são mais os mesmos, mas mesmo assim, muitas vezes agimos como que se tivéssemos vivendo a mesma coisa que antes e pensamos erroneamente que terá o mesmo fim que a outra. Ok, se sabemos que tomada dá choque não vamos ficar enfiando o dedo todas às vezes, mas isso também não significa que todas as vezes levaremos choques, pode ser que a companhia de energia pode ter cortado a energia para fazer reparos justamente no momento em que enfiamos o dedo, ou pode ser que está chovendo tanto que acabou a energia, whatever...
3º Nossa intuição sempre nos diz exatamente o que fazer, mas muitos não se sentem seguros com suas próprias vozes interiores, neste caso, recorremos então aos deuses que sempre sussurram bons conselhos pelo vento (ou usando algum amigo ou mesmo desconhecido para falar aquilo que precisamos ouvir).
Baseando-me nesses pensamentos, sabendo que os deuses estão me auxiliando e que nada tenho para me preocupar, resta-me chamar por Pã ou Dionísio e sair dançando pelos bosques por aí! Tenho ainda muito que fazer por mim, pelo meu caminho e pela minha vida cotidiana em si, ao invés de me focar em algo que no momento eu não tenho a menor capacidade física, emocional, mental e intelectual para resolver. Admitir que não estou pronta e aceitar esse fato, já é um grande passo para me sentir melhor comigo mesma e deixar que o tempo e os deuses resolvam isso por mim, nem que simplesmente me tornem pronta para resolver a questão.

quarta-feira, 18 de março de 2009

Cante pelos bosques!

Dionísio, deus do êxtase e do
entusiasmo, levava com seu cortejo alegria e felicidade por toda a Grécia onde
também era considerado protetor das belas artes.

“Ele ouve e considera tudo; nem sequer um discurso,
nenhum choro, nem barulho, nem voz nefasta escapa do ouvido de Zeus” – Hino
Órfico

O único meio de comunicação que eu tenho com os deuses, exceto em casos raros que os escuto quando estou desperta, é através de sonhos. De todo modo hoje foi um daqueles dias difíceis. Como algumas pessoas sabem, não estou em um dos meus melhores momentos, estou atravessando aquela fase insegura da mudança, como alguém que entra em seu barquinho e tenta atravessar o rio de uma margem a outra. Só que há dias sinto que eu estou parada no meio do rio e isso me deixa muito triste, não somente com a situação, mas em especial comigo mesma.
Vivendo ao longo desses anos, eu descobri que sempre há aquele momento em que perdemos nossas forças, em que estamos tão confusos ou tão inseridos dentro de nossos dramas emocionais ou simplesmente mentais, que não conseguimos nos reconhecer, que perdemos total e completa noção de quem nós somos. Os momentos de intensa dor ou de desespero são comuns a todos nós que caminhamos sob o sol, ninguém está livre disso. Não importa o que faça você perder o sono ou dormir demais (fuga), importa que sempre haverá momentos em que somos abatidos pela tristeza e a duvida e vejo que são nesses momentos que os deuses fazem o trabalho deles.
Enquanto temos forças para seguir e reagir, os deuses vão nos guiando e aconselhando pacientemente, mas naquele momento em que nos encontramos despedaçados, em que não vemos uma saída, em que não conseguimos seguir por mais que q1ueremos, ou que caímos sobre nossos joelhos de pura exaustão, então os deuses vêm para nos levantar pelas mãos e nos mostrar que não estamos sozinhos e que tampouco fomos por eles abandonados e nos mostram que em nenhum momento em nosso caminho, por mais difícil que esse pareça, eles nos deixaram sozinhos sequer por um segundo. Mesmo aquela prece que proferimos e que nem sentimos nada demais escapou dos ouvidos dos deuses.
Foi uma dessas preces dolorosas e sinceras que eu fiz durante a manhã, aquela em que descarregamos toda a nossa carga emocional, em que proferimos sinceramente que se estamos pedindo por ajuda é porque não sabemos mais o que fazer, ou como fazer ou estamos tão cansados que mesmo sabendo o que fazer não conseguimos nos mover. Eu estou nesse momento em que não posso ficar, mas também eu não consigo seguir. Mais nenhum humano no mundo poderia fazer isso por mim e foi com um sincero apelo que eu disse: “Os Deuses têm me ajudado em tudo o que tenho pedido. Por que não me ajudam nesse quesito? Por que não fazem por mim o que mais ninguém nesse mundo e tampouco eu estou conseguindo fazer? Não importa o que façam, eu só quero me ver livre desse sofrimento!”.
Eu acordei com uma forte tempestade caindo, os trovões eram tão altos que tremiam as paredes de casa, São Paulo inteira já estava debaixo d’água e a lembrança de meu sonho, onde após uma lição sobre aprender a guerrear no inverno, eu entrava em casa cantando para Zeus e Dionisio. Uma experiência mística, que me trouxe certezas e não fé, porque eu particularmente não gosto da palavra fé, fé me parece sugerir que acreditamos em algo que está distante. A minha experiência hoje vai além disso, eu tenho certeza, tenho confiança em meus deuses, não como algo distante, mas como Pai e Irmão que estiveram comigo me ouvindo naquele momento em que eu mais precisava ser ouvida e a confiança de sustenção como que se o próprio Zeus tivesse sussurrado em meu ouvido num abraço: “Fique tranquila, nós daremos um jeito nisso”. Como minha amiga helenica me disse sabiamente, enquanto estamos aqui insanamente sofrendo, Zeus está lá em cima já sabendo de tudo o que nos aconteceu e o que nos acontecerá.
Foi exatamente essa certeza que me inspirou escrever um post onde eu me coloco de maneira vulnerável e fragilizada, mas perfeitamente humana. Essa é uma forma de agradecimento, de dizer para os outros sinceramente que não importa os momentos pelos quais passamos, nossa capacidade ou a falta dela, nossos desejos ou tentações (tentação no sentido de desejar algo para se livrar do sofrimento e conseqüente crescimento que esse nos traz, porque é muito fácil desejar não sofrer e viver num ilusório mar de rosas, mas sofrer [não como um modo de purificação] nos impulsiona a mudar e nos transformar) que nós podemos contar com um poder superior que nos traz força para continuar e prosseguir em nosso caminho. Entenda, não posso acreditar em deuses que não riem e que não dançam, como também não posso acreditar em deuses que repudiam nossa humanidade.
Tenho plena confiança que em breve estarei escrevendo mensagens mais animadas e alegres, porque logo estarei dançando pelos bosques com Dionisio e espalhando por aí toda alegria e embriagues divina. E orgulhosa de saber que eu irei realmente fazer jus as palavras que eu escrevo, como profetisa que sou [Xaire, Apolo! Teu dom, tua dádiva!]. E assim provaremos eu e minha amiga helenica (e quem mais os deuses quiserem), como nossas cadelas negras anunciaram, a nossa primavera. Então, que venha!

sexta-feira, 6 de março de 2009

Libação Afrodite

A coisa toda está fluindo, fazia tempo que eu não entrava no fórum de Helenismo, aí me deparei com duas libações muito legais, uma de Janeiro para Hera e uma de Fevereiro para Afrodite. No domingo eu vim trabalhar e estava olhando no procedimento dessas libações, domingo era o primeiro dia de Março, então eu acabei pulando as duas, por falta de observação. Ok!
Cheguei em casa ainda carregando as folhas onde estavam as libações devidamente anotadas e fiquei pensando em fazer para Afrodite, porque poderia estar pegando o restinho de fevereiro no primeiro dia de Março, sei lá. Não passou nada muito lógico em minha cabeça, primeiro fui colocando um monte de obstáculos, porque eu não teria isso, ou aquilo, porque estava cansada, estava calor, preguiça. Mas, não sei por que cargas d’água ao abrir a porta do meu quarto e notar que ele estava uma bagunça, eu pensei, vou arrumar para fazer a libação de Afrodite.
Terminei de limpar e organizar o quarto tarde da noite, mas já estava decidida que faria, lembrei que não tinha chocolate e que eu não tinha comprado, mas minha irmã mais nova que se interessou muito pelo Helenismo depois de algumas bênçãos que recebemos de Apolo, disse que ela faria brigadeiro. Ótimo, mais uma fase vencida. Eu estava me sentindo muito cansada, esse negócio de trabalhar com essa carga horária maluca que eu tenho, mais uma faxina no quarto me deixou cansada, mas ainda assim sentei em minha cama após um bom banho e escrevi um poema pra Afrodite.
Logo minha irmã também estava pronta e iniciamos. O altar ficou lindo (uma pena não ter tirado fotos) e a única flor que eu consegui para Afrodite naquele dia, tarde da noite como saí do trabalho, foi uma violeta com as florzinhas roxas, li num texto que na verdade é importante que façamos mesmo que erramos, com a cara e a coragem eu fiz. Mas, enfim quis até me animar com danças após o ritual, mas eu estava cansada demais para isso, li alguns poemas, fiquei falando de Afrodite e outros olimpianos com a minha irmã e dormi. Deixei a vela de Héstia acesa ainda e foi um negócio de louco meu sono.
No dia seguinte acordei me lembrando de tudo, mas me lembro que quando o sonho se iniciou eu estava falando com alguma deusa, sei que acordei quando isso aconteceu e olhei para a vela de Héstia que queimava e não sei se isso bagunçou as minhas lembranças, pois ao acordar não me lembro de quem exatamente estava falando comigo, se Héstia ou Afrodite, tampouco do que falava, mas me lembrava do meu sonho completamente e incrivelmente ou não, ele falou exatamente tudo o que está acontecendo comigo essa semana, todas as desgraças que aconteceram, porque desgraça pouca é bobagem e também me deixou bem informada, ao menos era a sensação que eu tinha, que meu trabalho e J. seriam as únicas coisas as quais eu não teria problema. Foi o que aconteceu, afinal das contas, por mais que não estivesse falando com J. a semana toda.
O mais engraçado desse sonho, foi estar com J. no meu local de serviço, mas bem diferente do que é aqui, eu trabalhar no andar de cima com mais quatro anjos, no sonho eu dizia também ser um anjo e dizer para meus colegas de trabalho da parte de baixo, que eles estavam usando algo vencido, que usando até 4 (como um tipo de data) ele já estaria vencendo mas ainda dava para usar, mas se passasse de 8 então não teria mais utilidade alguma. Eu fiquei com aquele pensamento insistente de que eu devia saber o que esses números eram, o que significavam...

Voltando ao passado:
Dia 26/02 eu sonhei que estava na cozinha da minha casa, sobre a pia havia meu caldeirão cheio de água com um tipo de fumaça parada, como uma neblina mesmo por sobre a água, eu então recitava o Hino Homérico a Apolo, eu estava vestindo um sobretudo preto e após recitar, com o indicador direito eu desenhava o número 7 na água do caldeirão e bebia a água no próprio caldeirão.
Neste mesmo dia à noite, já na madrugada do dia 27/02, eu briguei muito feio com o J. e desde então a gente não se viu mais. Dito isto...

Então, no dia seguinte a libação de Afrodite, eu estava ávida para descobrir que diabos tinha a ver J., 4 e 8. Entrei novamente no Fórum e o que me chamou a atenção foi que já estava disponível o calendário de 2009, sempre eu olhava para aquele calendário e ficava com preguiça de tentar entendê-lo, então eu o fechava e ia ver outra coisa. Mas, nesse dia como que por um milagre divino eu olhei e entendi. 26/02 foi Noumenia e eu nem sabia disso, mas meu querido Apolo me fez sonhar e bem, eu acho que devia ter feito alguma coisa.
Para o meu espanto, domingo dia 01/03 era dia de Afrodite, Elaphebolion 04, ontem dia de Poseidon, Elaphebolion 08 e hoje J. irá a noite a minha casa. Não sei muito o que pensar sobre isso, mas Afrodite e J. em minha vida é algo que tem tudo a ver. Certo, sendo mais clara possível, eu gosto do cara. Mas, enfim, são essas sincronicidades que estão me deixando maluquinha. Cara, os deuses gregos nos dão até data e prazo e isso não é a primeira vez que acontece. Mas, pra não ficar um post enorme falo disso num outro post.