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quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Elevando

Estou num momento em que eu chamo de “retiro espiritual”, no começo não era bem o que eu desejava, ainda estava lotada de vontades e desejos bastante sociais, porém depois de um tempo, quando sem querer a calma foi se estabelecendo, tudo então ficou muito mais fácil e meus anseios se tornaram outros como num passe de mágica. Estou seguindo a correnteza e isso é muito melhor que nadar contra ela. Só não é um retiro em si, porque eu ainda tenho que conviver com as pessoas em minha casa e trabalho, mas gosto de pensar assim, esse é aquele momento em que eu quero conhecer tudo.
Quando me vi completamente apartada de uma vida e mente tumultuadas de coisas senti um desejo latente de seguir com mais afinco meu caminho espiritual e quanto mais eu dava vazão a esse desejo, mais calma ia me tornando. Pude ir compreendendo meus desejos anteriores, pude notar o quanto eram descontrolados e vazios de propósitos, vi claramente que eles eram somente um meio de me fazer fugir de mim mesma. Mas, eu tive que caminhar até aqui, eu tive que conseguir essa sobriedade de um jeito que eu não sei explicar.
Tudo o que me vem à mente quanto essa libertação é que meu poder pessoal me guiou até aqui, que meu Daimon me soprou as palavras certas aos ouvidos e mesmo confusa e atormentada pelos meus desejos fúteis, fui aos poucos me deixando guiar. Com isso também fui ficando mais forte, mais forte a ponto de não me deixar atormentar por aquilo que eu chamava de desejo, quando na verdade era uma “não-aceitação” da realidade e quanto mais forte eu ficava mais forte sentia vontade de ficar.
Eu ainda continuo com o mesmo desejo de poder e equilíbrio e às vezes me pego em meu próprio jogo como que se eu tivesse muito acima do resto da humanidade, grande ilusão, eu tenho que me lembrar que estou apenas engatinhando, que eu ainda tenho muita coisa para fazer, muito conhecimento para adquirir e que essa vontade é só minha força impulsora e que se eu não falhar com a disciplina tudo tende a melhorar e tudo também se tornará mais claro para mim.
Muitas vezes me questiono se não é minha vaidade exacerbada que ofende aos deuses, estou sempre muito orgulhosa a cada obstáculo que eu venço e acabo olhando para os que ainda estão atrás com um certo ar de intolerância e arrogância. Penso que embora eu subi um degrau há algo que eu sempre tenho que ter em mente, não são os que estão embaixo que deve me fazer reconhecer que eu subi, mas o presente e o conhecimento que esse novo patamar está me dando. Nunca, em nenhum momento de minha vida havia ficado tão claro que conforme eu vou subindo, vou dando suporte para os que estão vindo atrás de mim. Generosidade não é uma virtude, embora eu ainda não compreenda, ela parece ser indispensável.

sábado, 4 de julho de 2009

Grupo, group, Kindred, Folk, Thiases ...

Muita coisa triste acontecendo em pouco tempo, isso sempre me faz pensar em meus deuses e nos aprendizados que tiramos dessas situações. Muitos pensam que cultuar os deuses na verdade pára exatamente nesse ato, não sei exatamente que vantagem Maria leva nisso, no final das contas, porque eu vejo os deuses como algo palpável e diário, eu vejo os deuses e suas ações em mim e nas minhas ações, nos meus amigos e parentes e nas ações deles.
Nos últimos meses eu me peguei compreendendo o quanto eu mesma estava desprovida de valores, no quanto eu mesma estava perdida por conta disso. Também por muito tempo em meu caminho espiritual eu quis caminhar sozinha e nunca havia me dado conta do quanto nós crescemos como seres quando temos a dádiva de podermos caminharmos em grupo, o contato, o carinho e mesmo as brigas nos elevam de uma forma grandiosa, de modo a fazer-nos pensarmos mais e mais no que devemos e podemos melhorar.
Como devota de Apolo, o desejo de ser melhor a cada dia é grande em meu coração, é um desafio afinal, ter de tomar uma nova postura diante da vida e das coisas, dos amigos e das paixões, da família e de si mesmo. Em minha concepção minha espiritualidade deve estar encerrada exatamente aqui, onde eu vivo, onde eu me encontro, onde eu sinto e penso, onde eu estou. Não sinto que meus deuses são apartados de mim, mas estão comigo em cada ação, no meu dia-a-dia, em meu desejo de me tornar uma pessoa melhor, em meu desejo de me vencer como meu pior inimigo (que sou).
Esse contato em grupo tem me elevado de um modo impressionante, tenho visto qualidades minhas que jamais havia visto antes, medos que jamais tive antes, estou tomando posturas e ações que eu também jamais havia tido antes. Entreguei fragilidades minhas, tais como medos, controles, dependências a Zeus e tenho tentado agir de acordo com isso, tenho tentado impor um novo comportamento a mim e entregando esse sacrifício a Zeus. Tenho pensado em milhares de coisas as quais eu desejo mudar, em milhares de coisas que me tornariam melhor tanto para mim, quanto para o mundo, sei que eu tenho que ir com calma, sempre um passo de cada vez, mas a cada dia que eu venço, que eu deito em minha cama e vejo que agi como deveria, sendo verdadeira comigo e com os outros, eu sinto que estou vencendo e me tornando cada vez mais pagã.
Como conversava esses dias no telefone com o meu irmão (de espiritualidade) preferido e que chegamos a um consenso onde sabemos que nos dias de hoje todos os conceitos cristãos que nos fizeram engolir goela abaixo durante toda uma vida, estão alguns tão arraigados que se tornar realmente um pagão se torna uma missão impossível (embora sabemos que isso é bem possível se realmente desejarmos isso) e isso instigou em mim, e acho que também nele, essa vontade de fazer melhor, de ser melhor, de abrir nossos pontos de vistas e de mudar nossas crenças e conceitos.
São nessas fases mais difíceis que encontramos uma luz, uma força que nos impele ir em frente, que nos faz desejar mudar tudo o que parece estar nos deixando estagnados. Quando pude ouvir minha amiga dizendo sobre suas dificuldades, eu vi o quanto foi importante todo este caminho, toda a lapidação que tenho recebido dos deuses, foi como que se eu tivesse visto que realmente eu subi um degrau. Hoje conversando com a Sis, notei que não vale a pena não sermos verdadeiros ou tentarmos passar uma imagem de “semi-deuses”, porque somos mortais e devemos pensar como mortais e viver como mortais, mascaras servem somente para nos prender, para estagnar nosso crescimento. E não creio que exista crescimento sem amor, nem amor sem coragem e nem coragem sem deuses e nem isso seria possível se eu não pudesse observar meu caminho com minha mente e pensamento e tampouco que eu pudesse observar tudo isso sem os olhos daqueles que verdadeiramente me amam e me apóiam nesse caminho.
Acho que acabei por fazer esse post se tornar exatamente um tipo de elogio e de passar a imagem do quanto estou feliz e do quanto sinto que estou crescendo, quando sei que posso compartilhar minha vida e espiritualidade com pessoas que realmente estão aqui comigo e eu espero de coração que eu esteja também fazendo a minha parte no caminho deles!

domingo, 14 de junho de 2009

Retornando e Altar

Será que preciso mesmo me explicar? Tudo mudou, eu precisava organizar a vida e organizar meus blogs também fazia parte desse processo, por isso juntei o Delfos para a minha conta do In My Chaos, isso era necessário, porque eu já estava ficando perdida com tantas contas e tantos blogs.
Perambulando pelo Parnasso encontrei um irmão nesse caminho, a quem eu sou muito grata e estou muito feliz de estar trilhando esse caminho, temos aprendido muito um com o outro e aprender é a palavra por aqui, porque eu mesma ainda tenho muito que aprender sobre o Helenismo e sobre tudo.

Pequena explicação feita, vão algumas coisas que eu fiz:
Meu simples altar de quarto:

A imagem acima mostra uma pequena parte do meu altar de quarto (rsrs), duas imagens que representam meus patronos Apolo e Dionísio, um pequeno prato de libações, onde deixo algumas coisinhas como pedras e ofertinhas que não estragam, meu jogo de palitos com o nomes dos Deuses Olimpianos e essa toalha azul é um presente meu à Atena (nem é o azul de Atena, mas como era a linha que eu tinha em casa fiz assim mesmo), uma pena não dar pra ver direito, mas eu mesma a fiz em crochê e nela eu escrevi o nome de Atena em Grego: ΑΘΗΝΗ.


Aqui até que dá pra ver um pouco o nome de Atena na toalha. Ao lado uma imagem de Afrodite e alguns palitinhos com os nomes das pessoas que caminham comigo por esta trilha espiritual (Sharon, Vini e minha irmã). Porta incenso que ganhei em um dos ESP-SP e bibelozinhos de golfinhos, cisne e leão.

Uma foto por cima do altar após uma prece. A vela de Héstia ao canto apagada já, as imagens dos deuses, parte do aparelho de som que dividi meu altar sobre a comoda (rsrs), a caixinha de madeira que comprei para Dionísio após sonhar com isso, a miniatura de uma espada para lembrar Agon, o saquinho de crochê que fiz para o Vini colocar seu Oráculo Apolíneo e bagunça. O caldeirão, o chifre outras coisas que uso não estão nessa foto porque normalmente os deixo guardados.


Copiando a idéia da Alexandra Nikasios também fiz os nomes de Deuses para deixar sobre o altar, pirografando-os em palitos de madeira.
E é isso... Só para dividir um pouquinho de minha vida pagã com vocês!
See you!



quarta-feira, 25 de março de 2009

Bem vinda a nova vida!

Hoje me sinto lisonjeada, pois este mês que logo se acaba na lua nova (Elaphebolian) começou com um sonho na Noumenia, onde eu bebia a água de um caldeirão enquanto recitava o Hino Homérico a Apolo. Elaphebolion foi para mim um mês de “morte”, de introspecção, de um buscar espiritual maior que em qualquer outro momento da minha vida. Lembro-me que no começo do mês eu me queixava, pois após ter sonhado com a “Morte” como um ser encarnado, fiquei temerosa de que esse mês seria um mês daqueles que todo mundo quer fugir.
O que eu não compreendia era o surgimento tão forte de Dionísio em minha vida de uma hora para a outra. Como sou muito nova nesse caminho, muitas coisas me eram incompreensíveis (e creio que ainda o são) e eu ainda tinha muito que entender e saber. No inicio da Cidade Dionisíaca, acordei repetindo em minha mente o nome Zagreu de Dionísio e ao ver o que significava, no português claro e chulo, eu soltei um sonoro e triste “fodeu”. Fui vendo minha vida se despedaçando, tudo parecia turbulento e confuso. Os sonhos não paravam, mas eu não os entendia, tudo o que eu pensava em minha mente era: “Os deuses estão ferindo, talvez me lapidando e não sei por que pago tão alto preço”.
Hoje estudando um pouco mais o Helenismo, me deparei com a simbologia de beber Dionísio no caldeirão: “Em outra versão do mito, Dionísio (Zagreu) é filho de Zeus e da deusa Perséfone, Rainha do Submundo. Hera pediu aos titãs para atrair a criança com brinquedos e então eles o despedaçaram, colocando-o em um caldeirão e comendo tudo exceto o seu coração, que foi salvo por Atena (ou Deméter, em outras versões). Zeus refez seu filho através desse coração e o deu a Semele para fazer um novo Dionísio, o mesmo que reaparece em Elêusis como Iaco. Por isso, ele é chamado “duas vezes nascido” ou “o de duplo nascimento” (Dio-nísio)”. -
Dionísio e seu Renascimento.
Como entendo que minha vida cotidiana é puro reflexo de minha vida espiritual, vejo que não é de se estranhar que enquanto estou sendo espiritualmente devorada pelos titãs para depois renascer, minha vida também é devorada para também renascer. O que faz todo sentido agora ao me lembrar que neste mês fiquei paralisada diante de um texto de minha amiga helênica e minha reflexão sobre ele, sobre ser ferida pelos deuses para aprender curar (Quíron). Não obstante é necessário morrer para renascer (iniciação).
Já na semana da próxima Noumenia (de Mounykhion [Daisios]) sonho com a encruzilhada, onde eu observo fogos de artifícios que eu mesma havia feito admirada com sua beleza e que entre vários desenhos, desenham um rio cheio de peixinhos. Acordei animada, havia uma mensagem em minha mente de que eu veria beleza em meus esforços e sendo a encruzilhada pertencente ao caminho, Hermes e Hécate, não seria de se admirar que eu ficasse animada esperando as boas novas do mensageiro dos deuses, como as bênçãos e sabedoria da Trioditis.
Isso explica porque grudei em Dionísio como uma criança assustada durante a noite agarrada ao seu ursinho de pelúcia. Guiada e instruída intuitivamente pelos deuses, fui adentrando esse caminho e abrindo-me para conhecer sem deixar que minha pouca disposição e indisciplina prejudicassem o andar da carruagem. Embora vivendo momentos de profundo desespero e dor, em meio a tantos acontecimentos difíceis, xingando e reclamando vezes ou outras, não deixei sequer por um momento de honrar e cultuar meus deuses. Então, se houve algum tipo de prova, não creio que eu tenha falhado.
Esse entendimento todo surgiu hoje, pois em meio a um momento difícil durante meu dia, me agarrei novamente as minhas preces a Dionísio, pedindo para que eu não caísse ou sofresse novamente, despertando em mim o desejo de viver alegremente a minha vida independente das coisas que acontecem ao redor. Mas, o que mais chamou atenção, principalmente durante essa semana, foi o pensamento obsessivo e a admiração de Dionísio pela sua história de buscar o reconhecimento como um Deus filho de Zeus. Reconhecimento foi além das palavras “entusiasmo" e "libertação” o que mais me chamou a atenção em Dionísio. Partindo do pressuposto de que estou intuindo todo esse processo realizado pelos Deuses e de minha disciplina no culto, basicamente a palavra reconhecimento é uma de minhas vitórias nesse caminho.
Novamente retornando ao meu sonho com a encruzilhada, a impressão que tenho é de receber a mensagem dos deuses dizendo: “Está pronta, pode percorrer agora o caminho”. É como que pudesse dizer que me tornei verdadeiramente Helênica na Noumenia de Elaphebolion de 2009 da era comum. Mesmo estudando sobre isso desde outubro do ano passado, mas tendo agora a certeza em meu coração de que sou “reconhecida” como filha de Zeus (Xaire, Dionísio). Sinto isso como se ouvisse as vozes dos Deuses Antigos me dizendo: “Bem vinda a sua nova vida!”

quarta-feira, 18 de março de 2009

Cante pelos bosques!

Dionísio, deus do êxtase e do
entusiasmo, levava com seu cortejo alegria e felicidade por toda a Grécia onde
também era considerado protetor das belas artes.

“Ele ouve e considera tudo; nem sequer um discurso,
nenhum choro, nem barulho, nem voz nefasta escapa do ouvido de Zeus” – Hino
Órfico

O único meio de comunicação que eu tenho com os deuses, exceto em casos raros que os escuto quando estou desperta, é através de sonhos. De todo modo hoje foi um daqueles dias difíceis. Como algumas pessoas sabem, não estou em um dos meus melhores momentos, estou atravessando aquela fase insegura da mudança, como alguém que entra em seu barquinho e tenta atravessar o rio de uma margem a outra. Só que há dias sinto que eu estou parada no meio do rio e isso me deixa muito triste, não somente com a situação, mas em especial comigo mesma.
Vivendo ao longo desses anos, eu descobri que sempre há aquele momento em que perdemos nossas forças, em que estamos tão confusos ou tão inseridos dentro de nossos dramas emocionais ou simplesmente mentais, que não conseguimos nos reconhecer, que perdemos total e completa noção de quem nós somos. Os momentos de intensa dor ou de desespero são comuns a todos nós que caminhamos sob o sol, ninguém está livre disso. Não importa o que faça você perder o sono ou dormir demais (fuga), importa que sempre haverá momentos em que somos abatidos pela tristeza e a duvida e vejo que são nesses momentos que os deuses fazem o trabalho deles.
Enquanto temos forças para seguir e reagir, os deuses vão nos guiando e aconselhando pacientemente, mas naquele momento em que nos encontramos despedaçados, em que não vemos uma saída, em que não conseguimos seguir por mais que q1ueremos, ou que caímos sobre nossos joelhos de pura exaustão, então os deuses vêm para nos levantar pelas mãos e nos mostrar que não estamos sozinhos e que tampouco fomos por eles abandonados e nos mostram que em nenhum momento em nosso caminho, por mais difícil que esse pareça, eles nos deixaram sozinhos sequer por um segundo. Mesmo aquela prece que proferimos e que nem sentimos nada demais escapou dos ouvidos dos deuses.
Foi uma dessas preces dolorosas e sinceras que eu fiz durante a manhã, aquela em que descarregamos toda a nossa carga emocional, em que proferimos sinceramente que se estamos pedindo por ajuda é porque não sabemos mais o que fazer, ou como fazer ou estamos tão cansados que mesmo sabendo o que fazer não conseguimos nos mover. Eu estou nesse momento em que não posso ficar, mas também eu não consigo seguir. Mais nenhum humano no mundo poderia fazer isso por mim e foi com um sincero apelo que eu disse: “Os Deuses têm me ajudado em tudo o que tenho pedido. Por que não me ajudam nesse quesito? Por que não fazem por mim o que mais ninguém nesse mundo e tampouco eu estou conseguindo fazer? Não importa o que façam, eu só quero me ver livre desse sofrimento!”.
Eu acordei com uma forte tempestade caindo, os trovões eram tão altos que tremiam as paredes de casa, São Paulo inteira já estava debaixo d’água e a lembrança de meu sonho, onde após uma lição sobre aprender a guerrear no inverno, eu entrava em casa cantando para Zeus e Dionisio. Uma experiência mística, que me trouxe certezas e não fé, porque eu particularmente não gosto da palavra fé, fé me parece sugerir que acreditamos em algo que está distante. A minha experiência hoje vai além disso, eu tenho certeza, tenho confiança em meus deuses, não como algo distante, mas como Pai e Irmão que estiveram comigo me ouvindo naquele momento em que eu mais precisava ser ouvida e a confiança de sustenção como que se o próprio Zeus tivesse sussurrado em meu ouvido num abraço: “Fique tranquila, nós daremos um jeito nisso”. Como minha amiga helenica me disse sabiamente, enquanto estamos aqui insanamente sofrendo, Zeus está lá em cima já sabendo de tudo o que nos aconteceu e o que nos acontecerá.
Foi exatamente essa certeza que me inspirou escrever um post onde eu me coloco de maneira vulnerável e fragilizada, mas perfeitamente humana. Essa é uma forma de agradecimento, de dizer para os outros sinceramente que não importa os momentos pelos quais passamos, nossa capacidade ou a falta dela, nossos desejos ou tentações (tentação no sentido de desejar algo para se livrar do sofrimento e conseqüente crescimento que esse nos traz, porque é muito fácil desejar não sofrer e viver num ilusório mar de rosas, mas sofrer [não como um modo de purificação] nos impulsiona a mudar e nos transformar) que nós podemos contar com um poder superior que nos traz força para continuar e prosseguir em nosso caminho. Entenda, não posso acreditar em deuses que não riem e que não dançam, como também não posso acreditar em deuses que repudiam nossa humanidade.
Tenho plena confiança que em breve estarei escrevendo mensagens mais animadas e alegres, porque logo estarei dançando pelos bosques com Dionisio e espalhando por aí toda alegria e embriagues divina. E orgulhosa de saber que eu irei realmente fazer jus as palavras que eu escrevo, como profetisa que sou [Xaire, Apolo! Teu dom, tua dádiva!]. E assim provaremos eu e minha amiga helenica (e quem mais os deuses quiserem), como nossas cadelas negras anunciaram, a nossa primavera. Então, que venha!

quarta-feira, 11 de março de 2009

Boa Dikhomenia

Dikhomenia - "Eu divido em duas partes!"
(Basicamente o que eu usarei em meu ritual dessa noite, talvez insira mais alguns Hinos a Afrodite, libação e oferendas)
Hino Homérico #32 para Selene
Traduzido por Alexandra.

E, em seguida, as Musas de vozes doces, filhas de Zeus, bem habilidosas em canção, contam da Mene (Lua) de longas asas. De sua cabeça imortal um resplendor se mostra dos céus e abraça a terra; e grande é a beleza que se ergue de sua luz brilhante. O ar, antes apagado, incandesce com a luz de sua coroa dourada, e seus raios irradiam claramente, sempre que a brilhante Selene banha seu amável corpo nas águas do Oceano, e veste seus trajes de belas centelhas, e une sua brilhante equipe de pescoços fortes e dirige seus cavalos de longas crinas a velocidade máxima, ao anoitecer no meio do mês: então sua grande órbita é cheia e então seus raios brilham mais forte enquanto ela cresce. Então ela é um verdadeiro símbolo e um sinal aos homens mortais. Uma vez o Cronida [Zeus] se juntou a ela no amor; e ela concebeu e carregou uma filha, Pandéia, de excedente amabilidade entre os deuses imortais. Salve, deusa dos braços brancos, brilhante Selene, terna, rainha de longos cabelos brilhantes! E agora eu lhe deixo e canto a glória dos homens semi-divinos, cujas ações os menestreis, os servos das Musas, celebram com lábios amáveis.

Hino Órfico para a Lua -
A Fumigação de Aromáticos.
(Traduzido por Alexandra)

Ouça, deusa rainha, difundindo luz prateada, a do chifre de touro que vaga pela escuridão da Noite. Cercada de estrelas, e com largo circuito, tocha da noite estendida, pelos céus tu passeias: Fêmea e Macho, com raios emprestados brilhas,
E agora de orbe cheia, tendendo a minguar, Mãe das eras, lua que produz frutos, Cuja orbe de âmbar faz o refletivdo meio-dia noturno: Amante de cavalos, esplêndida, rainha da Noite, Poder que tudo vê, enfeitada da luz estelar.
Amante da vigilância, inimiga da discórdia, em paz rejubilante, e de vida prudente:
Bela lâmpada da Noite, seu ornamento e amiga, Que dá aos trabalhos da Natureza seu destino final. Rainha das estrelas, toda-sábia Diana, salve! Ornada de um gracioso robe e brilhante véu; Venha, Deusa abençoada, pudente, estrelada, brilhante. Venha lâmpada lunar de luz esplêndida e singela, brilhe nesses ritos sagrados com raios prósperos. E por favor aceite esta suplicante prece mística.

Poema (escrito por mim):

Hoje eu acordei para ver a Lua, antes dela me buscar.
E ao sair de casa e para cima olhar, a Lua estava lá.
Saudei-a com um olá e passei a admirar,
E para minha surpresa, doce Selene, passou a me beijar.

Eu que durante a noite sempre somente a fitava,
Agora estava em seus braços, como filha, deslumbrada.
Sabia que no céu, ela brilhava, Selene, com Venus acompanhada,
Ambas em conjunção apoiadas, para Venus testemunhar o amor e o amar.

Grande dama dos poetas, senhora que dos homens és a inspiração,
Entronando-te na cheia, com teus raios a terra a iluminar.
Compreendendo de dentro de ti os mistérios do amor e da paixão,
Ó tu, que dos poetas é amada, lua, Selene sagrada, venha me buscar.

Tu que não permaneces no Olimpo junto aos demais deuses,
Onde no céu faz a tua jornada, mas antes de começá-la, se banha no mar.
Uma linda deusa, de braços brancos, com longas asas,
Que percorre o céu em seu carro prata, para aos homens dar sua luz plácida.

Eternamente dorme teu pastor a quem tu amas,
E amas ainda mais a contemplar, abundante até no amar,
Derrame sobre nós as tuas graças e deixe-nos nos teus domínios adentrar,
E então, deusa, no meio do mês, viemos nós sinceramente te saudar!

terça-feira, 10 de março de 2009

Festival de Dioníso - Urbana

“Ao homem sensato cabe cultivar uma disposição equilibrada” – Dioniso em “As
Bacantes” de Eurípedes.

“A presença deles (os deuses) nos fere para nos curar e, a partir daí, curarmos
outros. Como Quíron, o "curador ferido""
. – Alexandra


Seguindo tudo direitinho, comemorei ainda essa semana o dia de Artemis, Apolo e Poseidon/Asklepeia. E então, no final de semana iniciei o festival de Dioniso. Admito que isso não foi muito fácil, minha vontade era ínfima e ainda assim eu deixei isso muito claro no inicio do rito. Tinha feito tudo, comprei o que tinha que comprar, mas na hora bateu aquele desânimo. Isso aconteceu porque têm acontecido algumas coisas chatas comigo e como uma boa criança mimada que sou, estava de “biquinho”.
Minha semana fora difícil, mas bem sei de onde eu tirei minhas forças e isso ficou muito evidente hoje no momento em que eu estava simplesmente fazendo algumas preces e depois cantando algumas canções pagãs que eu conheço. Logo no período da manhã eu me sentia muito triste, acordei até mais cedo que o previsto e caí num pranto dolorido, mesmo na noite anterior ter ido dormir aos risos após um pequeno momento ritual a Dioniso ao lado da minha irmã.
Então, um tanto cansada de ficar me lamentando sobre minhas dores emocionais, eu acabei por decidir meditar e foi exatamente o que eu fiz. Fui aos poucos me acalmando, mas então após minha meditação eu fui fazer minhas preces a Dioniso, que tenho feito todos os dias de seu festival. Foi então que meu humor milagrosamente foi se modificando, não fiquei feliz, devo admitir, mas fiquei equilibrada, em paz, calma e otimista. Meu diário se encheu então de coisas que escrevi, que agora para mim não parecem fazer o menor sentido, como que se eu tivesse tomada por um tipo de fé, coisa que sinceramente não cultivo muito.
Minha natureza normalmente é analisadora, observadora e realista, porém a sensação que eu tive a tarde é que estava voando e acreditando em coisas que eu jamais me julguei capaz de acreditar, um negócio bem do além mesmo e por incrível que pareça, por mais que eu devo ter repetido a palavra loucura milhares de vezes a cada frase que eu escrevia, eu tinha plena convicção de que eu estava vendo algo bem palpável, que agora o meu ceticismo já coloca naturalmente em xeque.
Mas, isso só se fez confirmar que na verdade tudo o que eu tive a tarde foi uma experiência de êxtase espiritual, que eu penso ser bem típica do Deus a quem saudamos no festival. Minha alteração no humor tão aparente também foi notável e quando a noite eu resolvi reler “As Bacantes” eu pude notar com certo alívio que é exatamente esse o caminho que os deuses têm me mostrado, que é possível ficarmos equilibrados mesmo nos momentos em que julgamos ser tão difícil ter o menor bom senso, mas podemos cultivar a disposição equilibrada. Posso estar bem longe de ser um exemplo de equilíbrio, mas posso estar disposta a isso.
Durante a tarde eu tive uma experiência de estar viva mesmo tão acometida pela tristeza dos últimos acontecimentos em minha vida, e, após um alto trovão caiu à grossa chuva e eu saí correndo pelo quintal, com as palmas das mãos erguidas para o céu e deixando a chuva me molhar, gritei: “Kaire, Zeus”. E retornei para dentro de casa, dando pulinhos e gritinhos pelo vento que me fez arrepiar toda de frio. E então eu tive o pensamento: “Para quem se encontra tão triste, até que estou bem doida!”.
Domingo eu acordei durante a madrugada com um nome se repetindo em minha cabeça, Dioniso Zagreus. Acabei por encontrar que Zagreus é um epíteto de Caçador a Dioniso e fiquei pensando: “Mas, que raio que ele está vindo caçar na minha cama?”. E então, hoje pude me relembrar que ele é o caçador de bacantes e isso me deu certo alívio, pois Zeus me livre ser caçada por qualquer deus nessa altura do campeonato. Estou farta de inimigos e acontecimentos chateadores, obrigada.
Porém, eu estou otimista, muito otimista, embora meu ceticismo muitas vezes me impila a pensar que eu só estou louca, ou querendo encontrar um motivo para não enxergar a realidade tal qual ela é, estou num ponto onde ou eu acredito ou acredito. E por mais louco que isso pareça eu acredito que isso é somente uma questão de dias. Em todo caso vou esperar e continuar seguindo minha vida da forma como eu tenho feito e esperando que logo todas essas dores emocionais venham a cicatrizar.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Boas Vindas

Eu não sei dizer se é o tédio ou se o fato de que me vejo novamente sozinha em meu caminho, que vim para o meio virtual mostrar um pouco de minha vida, este especialmente de minha religião. Só para ter mais um rótulo nessa minha garrafa velha, eu poderia me intitular Helênica ou o mais correto seria Helenista, de quem pratica o Helenismo.
Então, você deve se perguntar: “Mas, que diabos é isso?”. Cultuo os deuses gregos, a quem sou devota de Apolo. Quando eu escolhi esse deus como meu patrono (ou ele me escolheu, o que em minha visão parece o mais correto), eu não imaginava o quão duro seria me tornar sua sacerdotisa. Não, nada de sacrifícios mirabolantes, na verdade, eu sei por que um de seus epítetos diz que Apolo é aquele dos grandes sacrifícios.
No Oráculo de Delfos havia um dizer: “Conhece-te a ti mesmo e conhecerás os deuses e o universo” e ser sacerdotisa de Apolo é levar sim isso ao pé da letra, não por que você realmente queira, há muitos momentos em que em meio a minha dor emocional, eu não queria estar vendo um monte de coisas que eu vejo, mas a prática misturada à terapia faz que isso aconteça invariavelmente, mesmo que você não queira.
A verdade é obrigação de quem cultua Apolo, falar a verdade, ver a verdade, entender a verdade, não importa o quanto a verdade doa, não importa o quanto desejamos nos esconder de nós mesmos, nosso Deus Luminoso não quer saber. Vejo que o Helenismo de longe se parece com o cristianismo, não fosse por sua enorme quantidade de preces, porque você não se esconde atrás de um Deus que está no céu, mas o Deus que está no céu brilha em você.
Em seu dia eu tive que admitir para mim mesma que essa é uma constante, a mentira nos custa caro, tentar negar seus erros e defeitos também acaba nos custando muito caro. Às vezes eu mesma choro e imploro, mas eu sei que fui eu mesma quem pedi para me tornar uma pessoa melhor e essa é a área de Apolo, sem qualquer sombra de dúvidas e para se tornar uma pessoa melhor, você deve passar pelo processo de transformação, nem sempre isso é fácil, porque nem sempre nós mesmos somos adaptáveis o suficiente a não estremecer com a dor do fogo divino, mas talvez isso valha mais a pena do que eu possa supor nesse momento.
Inicio o Delfos, hoje no dia de Apolo segundo o calendário Ateniense. Talvez esse seja meu marco e eu assim espero que seja, porque como eu disse em minhas preces de seu dia: “Eu necessito olhar para o alto e dizer que meus deuses são os melhores que eu poderia ter”. Preciso de um pouco de alegria depois desse tempo difícil pelo qual eu tenho passado, um tipo de biscoito abençoado como um prêmio para quem aprendeu a lição. E vamos para o que interessa, pois devo fazer uma pequena homenagem a Apolo em seu dia (hoje até o pôr-do-sol).

Bem vindos a minha vida!