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domingo, 14 de junho de 2009

Retornando e Altar

Será que preciso mesmo me explicar? Tudo mudou, eu precisava organizar a vida e organizar meus blogs também fazia parte desse processo, por isso juntei o Delfos para a minha conta do In My Chaos, isso era necessário, porque eu já estava ficando perdida com tantas contas e tantos blogs.
Perambulando pelo Parnasso encontrei um irmão nesse caminho, a quem eu sou muito grata e estou muito feliz de estar trilhando esse caminho, temos aprendido muito um com o outro e aprender é a palavra por aqui, porque eu mesma ainda tenho muito que aprender sobre o Helenismo e sobre tudo.

Pequena explicação feita, vão algumas coisas que eu fiz:
Meu simples altar de quarto:

A imagem acima mostra uma pequena parte do meu altar de quarto (rsrs), duas imagens que representam meus patronos Apolo e Dionísio, um pequeno prato de libações, onde deixo algumas coisinhas como pedras e ofertinhas que não estragam, meu jogo de palitos com o nomes dos Deuses Olimpianos e essa toalha azul é um presente meu à Atena (nem é o azul de Atena, mas como era a linha que eu tinha em casa fiz assim mesmo), uma pena não dar pra ver direito, mas eu mesma a fiz em crochê e nela eu escrevi o nome de Atena em Grego: ΑΘΗΝΗ.


Aqui até que dá pra ver um pouco o nome de Atena na toalha. Ao lado uma imagem de Afrodite e alguns palitinhos com os nomes das pessoas que caminham comigo por esta trilha espiritual (Sharon, Vini e minha irmã). Porta incenso que ganhei em um dos ESP-SP e bibelozinhos de golfinhos, cisne e leão.

Uma foto por cima do altar após uma prece. A vela de Héstia ao canto apagada já, as imagens dos deuses, parte do aparelho de som que dividi meu altar sobre a comoda (rsrs), a caixinha de madeira que comprei para Dionísio após sonhar com isso, a miniatura de uma espada para lembrar Agon, o saquinho de crochê que fiz para o Vini colocar seu Oráculo Apolíneo e bagunça. O caldeirão, o chifre outras coisas que uso não estão nessa foto porque normalmente os deixo guardados.


Copiando a idéia da Alexandra Nikasios também fiz os nomes de Deuses para deixar sobre o altar, pirografando-os em palitos de madeira.
E é isso... Só para dividir um pouquinho de minha vida pagã com vocês!
See you!



quarta-feira, 25 de março de 2009

Bem vinda a nova vida!

Hoje me sinto lisonjeada, pois este mês que logo se acaba na lua nova (Elaphebolian) começou com um sonho na Noumenia, onde eu bebia a água de um caldeirão enquanto recitava o Hino Homérico a Apolo. Elaphebolion foi para mim um mês de “morte”, de introspecção, de um buscar espiritual maior que em qualquer outro momento da minha vida. Lembro-me que no começo do mês eu me queixava, pois após ter sonhado com a “Morte” como um ser encarnado, fiquei temerosa de que esse mês seria um mês daqueles que todo mundo quer fugir.
O que eu não compreendia era o surgimento tão forte de Dionísio em minha vida de uma hora para a outra. Como sou muito nova nesse caminho, muitas coisas me eram incompreensíveis (e creio que ainda o são) e eu ainda tinha muito que entender e saber. No inicio da Cidade Dionisíaca, acordei repetindo em minha mente o nome Zagreu de Dionísio e ao ver o que significava, no português claro e chulo, eu soltei um sonoro e triste “fodeu”. Fui vendo minha vida se despedaçando, tudo parecia turbulento e confuso. Os sonhos não paravam, mas eu não os entendia, tudo o que eu pensava em minha mente era: “Os deuses estão ferindo, talvez me lapidando e não sei por que pago tão alto preço”.
Hoje estudando um pouco mais o Helenismo, me deparei com a simbologia de beber Dionísio no caldeirão: “Em outra versão do mito, Dionísio (Zagreu) é filho de Zeus e da deusa Perséfone, Rainha do Submundo. Hera pediu aos titãs para atrair a criança com brinquedos e então eles o despedaçaram, colocando-o em um caldeirão e comendo tudo exceto o seu coração, que foi salvo por Atena (ou Deméter, em outras versões). Zeus refez seu filho através desse coração e o deu a Semele para fazer um novo Dionísio, o mesmo que reaparece em Elêusis como Iaco. Por isso, ele é chamado “duas vezes nascido” ou “o de duplo nascimento” (Dio-nísio)”. -
Dionísio e seu Renascimento.
Como entendo que minha vida cotidiana é puro reflexo de minha vida espiritual, vejo que não é de se estranhar que enquanto estou sendo espiritualmente devorada pelos titãs para depois renascer, minha vida também é devorada para também renascer. O que faz todo sentido agora ao me lembrar que neste mês fiquei paralisada diante de um texto de minha amiga helênica e minha reflexão sobre ele, sobre ser ferida pelos deuses para aprender curar (Quíron). Não obstante é necessário morrer para renascer (iniciação).
Já na semana da próxima Noumenia (de Mounykhion [Daisios]) sonho com a encruzilhada, onde eu observo fogos de artifícios que eu mesma havia feito admirada com sua beleza e que entre vários desenhos, desenham um rio cheio de peixinhos. Acordei animada, havia uma mensagem em minha mente de que eu veria beleza em meus esforços e sendo a encruzilhada pertencente ao caminho, Hermes e Hécate, não seria de se admirar que eu ficasse animada esperando as boas novas do mensageiro dos deuses, como as bênçãos e sabedoria da Trioditis.
Isso explica porque grudei em Dionísio como uma criança assustada durante a noite agarrada ao seu ursinho de pelúcia. Guiada e instruída intuitivamente pelos deuses, fui adentrando esse caminho e abrindo-me para conhecer sem deixar que minha pouca disposição e indisciplina prejudicassem o andar da carruagem. Embora vivendo momentos de profundo desespero e dor, em meio a tantos acontecimentos difíceis, xingando e reclamando vezes ou outras, não deixei sequer por um momento de honrar e cultuar meus deuses. Então, se houve algum tipo de prova, não creio que eu tenha falhado.
Esse entendimento todo surgiu hoje, pois em meio a um momento difícil durante meu dia, me agarrei novamente as minhas preces a Dionísio, pedindo para que eu não caísse ou sofresse novamente, despertando em mim o desejo de viver alegremente a minha vida independente das coisas que acontecem ao redor. Mas, o que mais chamou atenção, principalmente durante essa semana, foi o pensamento obsessivo e a admiração de Dionísio pela sua história de buscar o reconhecimento como um Deus filho de Zeus. Reconhecimento foi além das palavras “entusiasmo" e "libertação” o que mais me chamou a atenção em Dionísio. Partindo do pressuposto de que estou intuindo todo esse processo realizado pelos Deuses e de minha disciplina no culto, basicamente a palavra reconhecimento é uma de minhas vitórias nesse caminho.
Novamente retornando ao meu sonho com a encruzilhada, a impressão que tenho é de receber a mensagem dos deuses dizendo: “Está pronta, pode percorrer agora o caminho”. É como que pudesse dizer que me tornei verdadeiramente Helênica na Noumenia de Elaphebolion de 2009 da era comum. Mesmo estudando sobre isso desde outubro do ano passado, mas tendo agora a certeza em meu coração de que sou “reconhecida” como filha de Zeus (Xaire, Dionísio). Sinto isso como se ouvisse as vozes dos Deuses Antigos me dizendo: “Bem vinda a sua nova vida!”

terça-feira, 10 de março de 2009

Festival de Dioníso - Urbana

“Ao homem sensato cabe cultivar uma disposição equilibrada” – Dioniso em “As
Bacantes” de Eurípedes.

“A presença deles (os deuses) nos fere para nos curar e, a partir daí, curarmos
outros. Como Quíron, o "curador ferido""
. – Alexandra


Seguindo tudo direitinho, comemorei ainda essa semana o dia de Artemis, Apolo e Poseidon/Asklepeia. E então, no final de semana iniciei o festival de Dioniso. Admito que isso não foi muito fácil, minha vontade era ínfima e ainda assim eu deixei isso muito claro no inicio do rito. Tinha feito tudo, comprei o que tinha que comprar, mas na hora bateu aquele desânimo. Isso aconteceu porque têm acontecido algumas coisas chatas comigo e como uma boa criança mimada que sou, estava de “biquinho”.
Minha semana fora difícil, mas bem sei de onde eu tirei minhas forças e isso ficou muito evidente hoje no momento em que eu estava simplesmente fazendo algumas preces e depois cantando algumas canções pagãs que eu conheço. Logo no período da manhã eu me sentia muito triste, acordei até mais cedo que o previsto e caí num pranto dolorido, mesmo na noite anterior ter ido dormir aos risos após um pequeno momento ritual a Dioniso ao lado da minha irmã.
Então, um tanto cansada de ficar me lamentando sobre minhas dores emocionais, eu acabei por decidir meditar e foi exatamente o que eu fiz. Fui aos poucos me acalmando, mas então após minha meditação eu fui fazer minhas preces a Dioniso, que tenho feito todos os dias de seu festival. Foi então que meu humor milagrosamente foi se modificando, não fiquei feliz, devo admitir, mas fiquei equilibrada, em paz, calma e otimista. Meu diário se encheu então de coisas que escrevi, que agora para mim não parecem fazer o menor sentido, como que se eu tivesse tomada por um tipo de fé, coisa que sinceramente não cultivo muito.
Minha natureza normalmente é analisadora, observadora e realista, porém a sensação que eu tive a tarde é que estava voando e acreditando em coisas que eu jamais me julguei capaz de acreditar, um negócio bem do além mesmo e por incrível que pareça, por mais que eu devo ter repetido a palavra loucura milhares de vezes a cada frase que eu escrevia, eu tinha plena convicção de que eu estava vendo algo bem palpável, que agora o meu ceticismo já coloca naturalmente em xeque.
Mas, isso só se fez confirmar que na verdade tudo o que eu tive a tarde foi uma experiência de êxtase espiritual, que eu penso ser bem típica do Deus a quem saudamos no festival. Minha alteração no humor tão aparente também foi notável e quando a noite eu resolvi reler “As Bacantes” eu pude notar com certo alívio que é exatamente esse o caminho que os deuses têm me mostrado, que é possível ficarmos equilibrados mesmo nos momentos em que julgamos ser tão difícil ter o menor bom senso, mas podemos cultivar a disposição equilibrada. Posso estar bem longe de ser um exemplo de equilíbrio, mas posso estar disposta a isso.
Durante a tarde eu tive uma experiência de estar viva mesmo tão acometida pela tristeza dos últimos acontecimentos em minha vida, e, após um alto trovão caiu à grossa chuva e eu saí correndo pelo quintal, com as palmas das mãos erguidas para o céu e deixando a chuva me molhar, gritei: “Kaire, Zeus”. E retornei para dentro de casa, dando pulinhos e gritinhos pelo vento que me fez arrepiar toda de frio. E então eu tive o pensamento: “Para quem se encontra tão triste, até que estou bem doida!”.
Domingo eu acordei durante a madrugada com um nome se repetindo em minha cabeça, Dioniso Zagreus. Acabei por encontrar que Zagreus é um epíteto de Caçador a Dioniso e fiquei pensando: “Mas, que raio que ele está vindo caçar na minha cama?”. E então, hoje pude me relembrar que ele é o caçador de bacantes e isso me deu certo alívio, pois Zeus me livre ser caçada por qualquer deus nessa altura do campeonato. Estou farta de inimigos e acontecimentos chateadores, obrigada.
Porém, eu estou otimista, muito otimista, embora meu ceticismo muitas vezes me impila a pensar que eu só estou louca, ou querendo encontrar um motivo para não enxergar a realidade tal qual ela é, estou num ponto onde ou eu acredito ou acredito. E por mais louco que isso pareça eu acredito que isso é somente uma questão de dias. Em todo caso vou esperar e continuar seguindo minha vida da forma como eu tenho feito e esperando que logo todas essas dores emocionais venham a cicatrizar.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Boas Vindas

Eu não sei dizer se é o tédio ou se o fato de que me vejo novamente sozinha em meu caminho, que vim para o meio virtual mostrar um pouco de minha vida, este especialmente de minha religião. Só para ter mais um rótulo nessa minha garrafa velha, eu poderia me intitular Helênica ou o mais correto seria Helenista, de quem pratica o Helenismo.
Então, você deve se perguntar: “Mas, que diabos é isso?”. Cultuo os deuses gregos, a quem sou devota de Apolo. Quando eu escolhi esse deus como meu patrono (ou ele me escolheu, o que em minha visão parece o mais correto), eu não imaginava o quão duro seria me tornar sua sacerdotisa. Não, nada de sacrifícios mirabolantes, na verdade, eu sei por que um de seus epítetos diz que Apolo é aquele dos grandes sacrifícios.
No Oráculo de Delfos havia um dizer: “Conhece-te a ti mesmo e conhecerás os deuses e o universo” e ser sacerdotisa de Apolo é levar sim isso ao pé da letra, não por que você realmente queira, há muitos momentos em que em meio a minha dor emocional, eu não queria estar vendo um monte de coisas que eu vejo, mas a prática misturada à terapia faz que isso aconteça invariavelmente, mesmo que você não queira.
A verdade é obrigação de quem cultua Apolo, falar a verdade, ver a verdade, entender a verdade, não importa o quanto a verdade doa, não importa o quanto desejamos nos esconder de nós mesmos, nosso Deus Luminoso não quer saber. Vejo que o Helenismo de longe se parece com o cristianismo, não fosse por sua enorme quantidade de preces, porque você não se esconde atrás de um Deus que está no céu, mas o Deus que está no céu brilha em você.
Em seu dia eu tive que admitir para mim mesma que essa é uma constante, a mentira nos custa caro, tentar negar seus erros e defeitos também acaba nos custando muito caro. Às vezes eu mesma choro e imploro, mas eu sei que fui eu mesma quem pedi para me tornar uma pessoa melhor e essa é a área de Apolo, sem qualquer sombra de dúvidas e para se tornar uma pessoa melhor, você deve passar pelo processo de transformação, nem sempre isso é fácil, porque nem sempre nós mesmos somos adaptáveis o suficiente a não estremecer com a dor do fogo divino, mas talvez isso valha mais a pena do que eu possa supor nesse momento.
Inicio o Delfos, hoje no dia de Apolo segundo o calendário Ateniense. Talvez esse seja meu marco e eu assim espero que seja, porque como eu disse em minhas preces de seu dia: “Eu necessito olhar para o alto e dizer que meus deuses são os melhores que eu poderia ter”. Preciso de um pouco de alegria depois desse tempo difícil pelo qual eu tenho passado, um tipo de biscoito abençoado como um prêmio para quem aprendeu a lição. E vamos para o que interessa, pois devo fazer uma pequena homenagem a Apolo em seu dia (hoje até o pôr-do-sol).

Bem vindos a minha vida!